domingo, 31 de agosto de 2008

CONVERSA BUDISTA COM JOSE-CARLOS - 2 -

Filosofia ou religião ? No fondo é uma questão puramente teórica, académica sobre que se pode debater ad infinitum ....... No fondo provavelmente podem-se defender as duas afirmacões..... E no fondo para mi tanto faz .......

Não sou uma pessoa religiosa nem ando a procura duma religião, mas se tivesse que aceitar uma religião para encontrar uma forma de pensar e sobre tudo de viver tão evidente, tão lógica, tão sabia, tão humanista, tão universal, tão alegre, tão útil para lidar com a vida diaria e correspondendo tanto a minha forma de ser, pois tambem aceitaria que fosse uma religião segundo a definição geralmente aceitada do termo. Segundo a tua
definição basada no significado de "religare" de todas as formas não vejo problema nenhum porque a ligação entre todos os seres é dos principios básicos do budismo (para não dizer dogmas :)) palavra que detesto )

De momento os aspectos mais convincentes para mim são:

como já mencionado, a enorme "utilidade" do principio de "atenção" na vida diaria. E imensamente relaxante deixar de ter a cabeça sempre ou no passado ou no futuro, concentrar-se no presente e gozar do que se está a fazer que seja o que for: cortar legumes, fazer amor, formular uma nova teoria sobre a origem do universo, pouco importa .......... A concentração no presente da mais brilho à vida !
Mais, claro, não há que confundir esta forma mais consciente de viver com deixar-se levar pelo "destino" e negar-se a tomar decisões !! E preciso fazer o seu melhor para tentar obter o desejado, só que se não obtivermos o resultado desejado, pois soltar e relaxar-se. Quem sabe se não é melhor não obter o que queriamos.

E o segundo aspecto que é uma verdadeira revelação para mim é o que aprendo durante a meditação. Sei que é impossivel compreender sem ter experimentado, mas há uma fantástica dignidade em aceitar com carinho a propria forma de ser, de pensar e de sentir ......

Antes de experimentar eu mesma teria dito que isso é qualquer exaltação esotérica para pessoas que precisam de fugir do mundo porque não tem capacidades de encarar as realidades da vida. Mas pelo contrario é a forma mais cruda e directa de encarar a vida e sobre todo de encarar a propria pessoa..... É olhar-se num espelho à luz mais clara do dia, mas com carinho e compreensão ..........

Não vou pretender que já consigo pôr em practica todo isso todos os dias. Tu sabes, Zé Carlos, que não é facil ! Em algumas situações já consegui, em outras não ....... Mas vejo o caminho !

Actualmente estou com uma questão muito filosofica é de facto impossivel de resolver:
Imagina: estás sentado numa meditação, tentas deixar passar os pensamentos e concentrar-te na respiração, e outra vez escapam-se os pensamentos e encontras-te na imaginação em outro sitio e/ou outro tempo... e voltas à respiração etc, etc. Então a questão epinosa, de facto impossivel a resolver é:
TU QUEM ES, A PESSOA QUE DEIXA "VIAJAR" OS PENSAMENTOS OU A PESSOA QUE TENTA DISCIPLINA-LOS ???

9 comentários:

Anônimo disse...

Hurra ! Interrompi o telejornal das 9 (cá é menos 1 -- ou 2 ? -- horas que na Áustria ), vim
espreitar o computador (não tenho feito outra coisa desde que fiquei à espera de alguma coisa tua...), encontro no mail o teu comentário, a que respondi logo (já terás visto ? ) e logo a seguir vejo o teu post tanto esperado. Vou ter que o ler de novo antes de o comentar a sério, mas preferi escrever-te já isto.
Ao dizer-te que tinhas o meu e-mail no blog devia ter-te especificado que era no PERFIL do meu BLOG PORTUGUÊS. Fui verificar e está de facto lá. No francês não sei se está (e não quero ir lá agora verificar para não apagar isto... mas depois irei)
Vou reler o teu post, mas só lhe responderei depois de ver o teu email. Quero ver como as duas coisas se ligam.
Até já.
:))))) Zé-Carlos

LuCe disse...

O método que mais vezes me levou ao silêncio e o que eu chamo de "campo de estrelas" consiste em pensar de onde estão a vir os pensamentos, qual a sua origem. E coloquei questões semelhantes à tua. Às vezes, raramente, a resposta chega, e não é uma coisa nem outra, é algo que está para lá do pensamento. E nessas alturas, ou há um êxtase ou um grande susto ou as duas coisas em simultâneo.

A interpretação mais corrente dada à palavra religião pelos estudiosos do assunto é realmente de re-ligação, re-ligação ao divino. E quando há uma re-ligação ao divino, há uma re-ligação a todas as coisas.

Essas coisas são tão complexas e, ao mesmo tempo, tão simples. Este paradoxo lembra-me o célebre conselho do produtor de música Martin Hannett ao baterista da Joy Division - "toca mais depressa, mas mais devagar".

ALMARIADA disse...

Observar os pensamentos faz pensar também "onde estão os pensamentos?".

O que vou dizer a seguir não é uma frase minha mas também não tenho a certeza de quem seja por isso deixo-a assim:

"A mente pura não tem pensamentos."

Aí também não há "eu" nem outros pronomes pessoais...

prafrente disse...

A sabedoria consiste mais em colocar questões do que em dar respostas...

Por outro lado existe uma multiplicidade de caminhos que conduzem ao mesmo objectivo.Poderá alguém afirmar que o seu caminho é melhor que o do outro?

Beijos de Portugal

WOLKENGEDANKEN disse...

Almariada: pois sim "onde estao os pensamentos ? " e sobre tudo "de que estao feitos os pensamentos" sao das perguntas fundamentais da filosofia budista. Pode-se continuar com "De onde aparecem os pensamentos" "sao os pensamentos que determinam a pessoa"....... De facto actualmente a neuro-psicologia está com estas questoes....

Nao sei porque, mas de momento nao consego entrar no teu blog, bom entro, mas pouco depois o explorer deixa de funcionar e fecha tudo .... Sei la porque.A parte da falta de tempo e por isso que nao comento ultimamente.

ALMARIADA disse...

A mente é produto do cérebro ou o cérebro é instrumento da mente?

Quem estuda a mente?

Sim, o meu blog esta(va) com problemas... não sei porquê... talvez tenha ficado almariado também... :)

talvez seja um problema de neuro-psicologia informática... ;)

mas hoje parece estar melhor...

Tudo bom para ti! :)

mdsol disse...

Linda Wolkengedanken
Eu destes assuntos só tenho ali o meu "O Livro Tibetano da Vida e da Morte" de Sogyal Rinpoche, que uma amiga minha me ofereceu. Dizia ela que eu, pelo que ela conheci ade mim, devia gostar de o oler. Fui lendo, mas acho que nunca me dispus a embrenhar-me a sério nestas paragens espirituais! Entretanto, acompanho as vossas discussões com interesse! Quem sabe me "espevitam" a curiosidade.
Ah...deixei lá no branco no branco um post feito basicamente a pensar em ti e no José-Carlos (e em todos os que, como nós, não gostam de se levantar cedo). Espero que gostes.
Beijinho
:))))

Véu de Maya disse...

sofremos porque existimos ou existimos porque sofremos...existindo podemos deixar de pensar? de sofrer? de recusar a morte? Os limtes da nossa biologia? que luz trazem os budistas a estas questões? a ignorância nestas matérias poderá dar privilégios?
:)

WOLKENGEDANKEN disse...

O intento de se libertar do sofrimento é de facto um dos temas fundamentais do budismo.

Segundo o budismo sofremos porque nos agarramos a ilusoes e nao sabemos viver na realidade. Nao podemos negar nem as limitacoes biologicas nem a morte que é a unica seguranca na nossa vida. Segundo o budismo nao temos que fugir dessas realidades mas aceita-las para assim ptecisamente liberta-nos do sofrimento.

Naturalmente nao podemos deixar de pensar, ninguem pretende ....

O grande problema é que atualmente há tantos esoterismos e tantos "iluminados" que publicam com grande exito qualquer mixtura de tudo com tudo .......